sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Intestino Grosso

Intestino Grosso

Diferente do intestino delgado, que possui grande mobilidade, o intestino grosso tem ligamentos muito próximos às suas paredes, formando as goteiras parieto-cólicas. Ele serve de moldura para o intestino delgado.
O peritônio recobre o cólon, que forma uma moldura ao redor do mesogástrio.
O intestino grosso tem um maior calibre e é formado pelo ceco em sua primeira porção, que é bastante dilatada, pelo apêndice cecal, pelos cólons ascendente, transverso, descendente, sigmóide, reto e o canal anal.

Irrigação do Intestino Grosso:
O intestino grosso é irrigado por ramos diferentes da artéria mesentérica superior.
A artéria ileocólica, ramo apendicular, irriga o ceco.
As artérias íleo-ceco-cólica e cólica direita irrigam o colón ascendente.
As artérias cólica média e a artéria mesentérica inferior irrigam o cólon transverso.
As artérias cólica esquerda e sigmóidea irrigam o cólon descendente.
As artérias sigmóideas irrigam o sigmóide.
As artérias retais superior, retais médias, retais inferior irrigam o reto.

As artérias cólica média e cólica esquerda formam uma arcada marginal chamada arcada de Rioland. É uma arcada que vem em torno de todo o cólon e promove anastomose entre a artéria mesentérica superior e inferior, via cólica média e esquerda.
Também tem a arcada de Drummond.

As veias acompanham as artérias na metade do cólon transverso, que é drenado para a veia mesentérica superior.
A metade do cólon transverso, cólon descendente, sigmóide e reto são drenados para a artéria mesentérica inferior.
O reto recebe ramos diretos da aorta e também da ilíaca interna.
Dois plexos venosos diferentes drenam o reto e o canal anal, formando o plexo hemorroidário.
Hemorróida é uma variz desse plexo hemorroidário.

Ceco
Na luz do ceco existem dois orifícios: a válvula íleo-cecal e o do apêndice cecal. A fossa ilíaca direita é exatamente a localização mais comum do apêndice.
A válvula íleo-cecal evita o refluxo fecal.

O apêndice é um órgão linfóide que produz células de defesa para essa região da fossa ilíaca. Ele também não é um órgão fundamental na cavidade abdominal, mas participa da sua defesa.
O apêndice inflama porque dentro dele cai a secreção fecalóide (água, resto alimentar). Nesse resto alimentar está o fecalito, porções esferóides de fezes endurecidas e caroço de algumas frutas. Essa secreção entra e sai pelo orifício do apêndice, mas em determinado momento pode ocorrer a obstrução dessa entrada, impedindo-a de sair e inflamando o apêndice. Essa secreção é cheia de bactérias que se proliferam e causam uma lesão na mucosa, evoluindo para a perfuração da parede e extravasamento do líquido contaminado para a cavidade peritonial, gerando peritonite.

No ceco, a secreção fecalóide vai tendo sua água absorvida em todo o trajeto, passando pelo cólon ascendente, pela flexura direita ou flexura hepática, pelo colón transverso, pela flexura esquerda ou flexura esplênica, pelo colón descendente, pelo colón sigmóide até chegar no sigmóide e no reto, onde se formam as fezes.

Cólon
Os cólons possuem um caminho bastante pregueado para conseguir aumentar a área de absorção de água sem aumentar o tamanho da cavidade. Mas as pregas são mais separadas que no ceco.
Esse pregueamento forma saculações (haustros) que são presas por três fitas (formadas pela própria musculatura longitudinal) chamadas tênias.
Nessas três tênias estão presas o cólon e os apêndices omentais (que produzem algumas células de defesa pra melhorar a proteção dos cólons). Os a apêndices omentais são bolsas de omento (peritônio) preenchidos por gordura.
As tênias são as seguintes:
- livre (anterior);
- omental (posterior);
- mesocólica (posterior).

O cólon ascendente fica no lado direito, na flexura direita (hepática).
O cólon transverso tem maior porção e maior mobilidade. Sua alça está para baixo e para frente.
O cólon descendente fica do lado esquerdo, na flexura esquerdo (esplênica).

Sigmóide
No sigmóide, as fezes já estão formadas, sendo encaminhadas ao reto.

Reto
Na parte final do intestino grosso está o reto, um órgão peritonial e extra peritonial. Ele não esta atrás e sim abaixo, entrando na pelve. Não possui tênias nem mesentério.
No homem ele faz relação anatômica com a bexiga, com as vesículas seminais e com a próstata.
Na mulher, faz relação anatômica com o canal vaginal e com o útero.
O reto forma a ampola retal (bastante dilatada) e uma dilatação que suporta todas as fezes que passa por ali e cuja água já foi quase totalmente absorvida.
O bolo fecal vai se depositar ali e formar fezes moldáveis, com uma quantidade de água o suficiente pra que não sejam fezes ressecadas.
O músculo levantador do ânus vem de encontro ao reto, formando na sua parte final o canal anal.

A ampola retal é a porção terminal do reto, imediatamente antes da defecação, onde as fezes ficam em forma de “S”, seguindo o sacro.
A ampola retal tem 3 pregas transversais: superior, média e inferior, e termina na linha pectínea, onde estão os seios anais, com glândulas que secretam muco.

O canal anal é uma estrutura de mais ou menos 3 a 5 cm no homem adulto e é delimitada pela linha pectínea. A linha pectínea possui pequenas glândulas que são produtoras de muco pra facilitar a passagem das fezes pelo canal anal sem lesão da mucosa, e isso delimita também o final do reto e início do canal anal. Este canal anal termina exteriormente com a cobertura de pele e formação de ânus.
O canal anal possui zona cutânea e zona mucosa.

Ao final do reto existe um espessamento da camada muscular, principalmente da circular. O levantador do ânus também abraça essa porção do reto e do canal anal, formando um esfíncter, denominado músculo do esfíncter interno do ânus ou esfíncter interno do ânus de controle involuntário.
O músculo levantador do ânus forma diversas porções musculares definidas como esfíncter externo do ânus ou músculo do esfíncter externo do ânus de controle voluntário.
Quando a ampola retal se dilata (com a chegada de fezes) a resposta do sistema nervoso é de contração imediata do esfíncter externo, propriedade essa que vai sendo desenvolvida com o crescimento (o RN não tem essa capacidade).
A ampola retal se enche então e essa distensão provoca então o fechamento e a contração do músculo esfíncter interno. Por uma necessidade de convívio social, há contração também do músculo esfíncter externo.
Quando o indivíduo relaxa o músculo do esfíncter externo do ânus, o músculo esfíncter interno também relaxa e ocorre a evacuação.

Os homens primitivos evacuavam de cócoras (como evacuam ainda os índios) porque é necessário a distensão do períneo, músculo levantador do ânus, a distensão desse períneo pra poder relaxar o esfíncter externo e promover o relaxamento do esfíncter interno.
O homem tem que sentar para promover o relaxamento da região perineal e aí então, o esfíncter externo relaxando, promove o relaxamento do interno.
Existe um controle social muito grande sobre a evacuação. Muitas pessoas trazem da infância um trauma, uma visão negativa das fezes e da evacuação. Isso gera, ainda na infância, e no futuro, a obstipação intestinal psicológica, pois o indivíduo não consegue relaxar. As fezes ficam paradas na ampola retal acabam por ressecar. Após 20 dias de absorção intensa de água ocorre a formação de fecaloma, que são fezes endurecidas como pedra.
Para se tirar um fecaloma, é preciso fazer um toque retal, quebrar essas fezes com o dedo indicador, e retirá-la aos pedaços.

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