segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sistema Urinário

Sistema Urinário

O sistema urinário é compreendido pelos órgãos uropoiéticos (aqueles que produzem a urina e a armazenam temporariamente, e depois a liberam). Essa urina é composta principalmente por ácido úrico, uréia, sódio, potássio, bicarbonato, e em condições anormais também pode se encontrar glicose e proteínas.
O sistema urinário participa da manutenção da homeostase através da eliminação de restos do metabolismo, de água e outras substâncias pela urina. O sistema urinário é formado por dois rins, dois ureteres, uma bexiga e uma uretra.
Esses órgãos ficam localizados na parte posterior do abdome, são ditos retroperitoneais, estão atrás do peritônio, ou seja, estão na parte anterior da parede posterior do abdome, em seu terço superior.

O rim é um órgão que apresenta uma porção côncava e outra convexa. Na porção côncava se situa o hilo, local de entrada e saída de vasos, nervos e também a partir do qual os cálices renais formam a pélvis renal.
Os rins são órgãos em forma de grão de feijão, localizados logo acima da cintura, entre o peritônio e a parede posterior do abdome, sua coloração é vermelho pardo, é protegido na sua face posterior pelas duas últimas costelas. Estão situados em cada lado da coluna vertebral, a frente da região superior da parede posterior do abdome, entre a 11ª costela e a 13ª vértebra.
São órgãos retroperitoneais (atrás do peritônio). Na frente dele está o mesentério e o mesocólon.

Para se acessar o retroperitônio, deve-se acessar os recessos parieto-cólicos direito e esquerdo (que se situam ao lado do mesocólon), então se corta o recesso, e joga o mesocólon para frente, chegando no retroperitônio, onde se localiza os rins.

Alguns segmentos dos rins (principalmente das bordas laterais, das partes mais eqüidistantes do plano mediano) são envolvidos por uma película fina e pequena de peritônio (não é um órgão peritoneal pois isso só envolve uma pequena parte dele) e são circundados pela fáscia de Gerota, que é uma gordura que envolve todo o rim e tem função de proteção, amortecendo impactos mecânicos.
Cada rim tem cerca de 11 cm de comprimento, 5 a 7 cm de largura e 2,5 cm de espessura.
Na margem medial (ou côncava) de cada rim encontra-se o hilo renal, que é formado pela artéria renal, veia renal e ureter. Seio renal é um espaço onde se encontra o hilo (o hilo está contido dentro do seio).
A veia renal fica a frente da artéria renal, isso é útil na hora de discriminar se o rim é direito ou esquerdo, nas peças anatômicas.
Os músculos que tem íntimo contato com a face posterior do rim são o psoas e o quadrado lombar (que é a parte anterior da parede posterior do abdome).
A borda medial é chamada côncava, a lateral é a convexa; temos também a extremidade superior, que é o pólo superior e a extremidade inferior que é o pólo inferior.


O rim pode ser separado em porção cortical e porção medular. Na medula observam-se de 10 a 18 pirâmides medulares, as quais apontam para os cálices e destes para a pélvis renal. Cada pirâmide contém de 400 a 500 raios medulares, os quais penetram no córtex.

Existe uma cápsula delicada que reveste o rim (que é um órgão parenquimatoso, sólido, como o baço e o fígado), tem a veia e a artéria renal, a pelve renal que vai dar origem ao ureter.
A artéria renal vai se bifurcando para todas as regiões e esse sangue que entra pela artéria renal vai até a periferia, a partir de onde volta sendo filtrado. A filtragem da urina acontece centripetamente, a urina vai se formando à medida que o fluxo vai da periferia para a parte central.
As lesões na região do hilo são mais letais, porque lesa a artéria, a veia renal, e a pelve, que são difíceis de ser reconstituídas. Já se a lesão for na margem, pode ser feita a remoção de uma pequena parte lesada.
A retirada total do rim se chama nefrectomia.
Quando se faz um corte frontal do rim são reveladas as regiões: cortical (mais periférica) e a medular (mais interna). A medular consiste de 8 a 18 estruturas cuneiformes, que são as pirâmides renais, e as colunas renais (que ficam entre uma pirâmide e outra). No vértice de cada pirâmide se encontra uma papila, que fica em contato com um pequeno cálice. A união de dois pequenos cálices formam o grande cálice e a união de dois ou mais grandes cálices formam a pelve renal, que por sua vez vai dar origem ao ureter. A base da pirâmide renal fica em contato com o córtex renal.

O córtex e a pirâmide renal constituem a parte funcional do rim, que se localizam no parênquima. A unidade filtradora dos rins são os néfrons. Cada néfron é formado pelo corpúsculo de Malpighi, pelos túbulos contorcidos proximais e distais e pela alça de Henle.
Néfron: Menor unidade funcional constituída por uma cápsula glomerular (cápsula de Bowman), um glomérulo, túbulo contorcido proximal, alça de henle, túbulo contorcido distal e túbulos coletores. Temos nos rins: arteríola aferente e arteríola eferente.
No córtex renal tem as estruturas glomerulares. As estruturas de alça de henle e tubo coletor adentram a pirâmide e desembocam na papila.

A artéria renal chega no hilo, vai se bifurcando até chegar ao córtex, onde é filtrado pelos néfrons. A urina formada pelos néfrons drena para os ductos papilares, vão até as papilas renais, e vão até os cálices, depois para a pelve, ureter, bexiga e uretra. O sangue venoso, após perfundir toda a estrutura, volta pela veia renal.


O corpúsculo renal é formado por um aglomerado de capilares, conhecido como glomérulo, e envoltos pela cápsula de Bowman, que possui um folheto parietal, formado por células simples pavimentosas e o folheto visceral formado por células modificadas, com prolongamentos primários e secundários, estas células conhecidas como podócitos.

Os prolongamentos dos podócitos envolvem e abraçam os capilares, deixando pequenos espaços entre os prolongamentos secundários, fechados por uma membrana, e conhecidos como fendas de filtração. Além destas fendas de filtração, o filtrado tem de passar pelas fenestrações dos capilares e através de uma membrana basal espessa formada pelas células endoteliais e pelos podócitos.
A membrana basal de 100 a 300nm de espessura é a principal barreira no processo de filtração. Além das células endoteliais e dos podócitos, a estrutura glomerular apresenta ainda as células mesangiais. Habitando o espaço entre as células endoteliais, estas células desempenham importante papel de manutenção e limpeza da membrana basal. O filtrado glomerular, após atravessar a barreira de filtração, passa pelo espaço capsular e segue pelo túbulo contorcido proximal.

O túbulo contorcido proximal é formados por células cúbicas com borda em escova (microvilosidades), e na porção basal se observam dobras e interdigitações entre as células adjacentes. O citoplasma destas células é rico em mitocôndrias, o que lhes confere características acidófilas. O papel destas células e destes túbulos está na reabsorção de íons e outras sustâncias do filtrado. Após passar pelo túbulo contorcido proximal, o filtrado segue para as alça de Henle, que é formada por uma porção descendente, em sua maior parte constituída por epitélio simples pavimentoso, e porção ascendente formada em sua maior parte por epitélio cúbico simples.

As alças de Henle têm o papel fundamental junto aos ductos coletores na concentração da urina e reabsorção de água. Após passar pela alça de Henle, o filtrado segue em direção ao túbulo contorcido distal.
Estes túbulos também formados por epitélio cúbico simples, entretanto apresentam microvilos mais curtos e espaçados, além de um número menor de mitocôndrias, o que torna o citoplasma destas células menos acidófilos se comparados às células do túbulo contorcido proximal.
O túbulo contorcido distal se aproxima do corpúsculo de Malpighi do mesmo néfron, e suas células se modificam, tornando-se cilíndricas, recebendo o nome de mácula densa. Esta estrutura, em conjunto com as células justaglomerulares da túnica média da arteríola aferente, formam o complexo justaglomerular e funcionam na regulação do balanço hídrico e do equilíbrio iônico. O filtrado após passar pelo túbulo contorcido distal, deixa o néfron e deságua nos túbulos ou ductos coletores, os quais seguem em direção as papilas. Os tubos coletores inicialmente são revestidos por epitélio cúbico e à medida que se fundem com outros tubos e se dirigem para as papilas se espessam e suas células tornam-se cilíndricas.
Os tubos coletores atuam em conjunto com a alça de Henle na reabsorção de água.

Funções dos rins:
- controlar a pressão arterial: no aparelho justaglomerular tem o sistema renina-angiotensina-aldosterona. O fluxo de sangue na arteríola que controla o funcionamento desse sistema;
- regulação da composição iônica do sangue através da absorção de íons, como o cálcio, sódio, potássio, cloro;
- participa da manutenção da osmolaridade: no calor, a urina fica mais concentrada, devido à perda de água no suor;
- regular o volume sanguíneo: quando uma pessoa está perdendo sangue, o sistema renina-angiotensina-aldosterona é acionado e faz aumentar a RVP, aumentando a PA.
A regulação da PA pode ser feita inibindo a enzima conversora da angiotensina (ECA), ou diminuindo a absorção de água (diurético).
- regulação do PH sanguíneo (devido ao bicarbonato);
- liberação de hormônios;
- excreção de substâncias (medicamentos).

Glândulas Supra Renais:
São duas estruturas glandulares endócrinas localizadas no pólo superior de cada rim. Possuem uma camada cortical e uma medular. A camada cortical secreta mineralocorticóides, glicocorticóides e esteróides (cortisol - o mais potente antiinflamatório endógeno que possuímos; hormônios sexuais e aldosterona).
A camada medular secreta adrenalina e noradrenalina (através da estimulação do sistema nervoso parassimpático).
Um tumor de supra-renal, na camada cortical é designado síndrome de Cushing (que causa diabetes e gordura localizada).
Se o tumor for na região medular (feocromocitoma), pode-se desenvolver excesso de secreção de catecolamina na corrente sanguínea, causando hipertensão arterial que não diminui com medicamentos. Para se detectar isso, faz-se a dosagem do metabólito da adrenalina na urina, que é o ácido vanil-mandélico, que nessas condições estará aumentado.

Ureteres:
São dois túbulos que transportam a urina dos rins à bexiga.
São órgãos pouco calibrosos, com peristalse. Isso é útil na expulsão de cálculos até a bexiga e na condução da urina; é composto por musculatura lisa.
Pelve renal é a extremidade superior do ureter situada no hilo renal.
Percorre a parede posterior do abdome e penetra na cavidade pélvica, o óstio do ureter se situa no assoalho da bexiga urinária.
Passa junto à artéria uterina.
Em função do trajeto do ureter, ele pode ser dividido em duas partes: abdominal e pélvica.
Quando ele chega no osso pélvico, sobrepões os vasos ilíacos. É comum que quando uma mulher faz cirurgia de ligadura, o cirurgião pode cometer o erro de ligar o ureter, isso vai acarretar um edema, enchimento do rim correspondente a esse ureter, isso é chamado hidronefrose, e se não for tratado, pode acarretar em diminuição do fluxo sanguíneo nesse rim, podendo gerar hipertensão arterial e falta de escoamento adequado de urina naquele rim. Essa hidronefrose pode ser revertida se a obstrução for desfeita a tempo, se não, será preciso a retirada do rim para não ter esses efeitos. O outro rim passa a substituir o retirado, e o outro vai ser denominado vicariante (função admitida por um órgão duplo de substituir o seu complementar).

Bexiga:
Órgão reservatório de urina, localizada dentro da cavidade pélvica, revestida superiormente pelo peritônio. Órgão muscular e elástico. Nos homens se situa anterior ao reto e nas mulheres, anterior à vagina.
No homem, a uretra passa dentro da próstata, por isso, quando há aumento da próstata, o paciente tem dificuldades em urinar.
Trígono vesical: triângulo formado por pregas na mucosa da bexiga, óstios ureterais (orifício através do qual a uretra se abre para o exterior, que fica entre o clitóris e a abertura vaginal) e o meato da uretra. Os dois ureteres desembocam no meato da uretra, neste ponto está localizado o esfíncter interno da uretra (controle involuntário), tem também o esfíncter externo (de controle voluntário).
Porções da uretra masculina: prostática, membranácea e esponjosa (ou peniana).
A uretra feminina não tem porções, por isso tem maior possibilidade de ter cistite.

A bexiga é um órgão extra-peritoneal ocupa normalmente o oco pélvico, quando cheia, ela pode se situar mais acima, adentrando a cavidade abdominal. A mulher grávida vai ter uma capacidade menor da bexiga.
A uretra masculina é maior, e por isso a mulher tem mais chances de desenvolver uma infecção urinária (cistite). A uretra feminina mede de 2 a 3 cm, e a masculina tem 20 a 25 cm de comprimento. A bactéria causadora da infecção da via urinária baixa tem mais facilidades de acender na mulher.

No exame de urografia excretora, se injeta contraste intravenoso, que vai percorrer toda circulação até chegar nos rins pela artéria renal, onde é filtrado e cai na bexiga. Ele pode demonstrar o funcionamento renal e o fluxo urinário.

Uma das principais causas de tumores de bexiga é o tabaco, que chega até a bexiga através da fumaça que é absorvida pelos vasos sanguíneos, e chega até os rins pelas artérias renais.

A bexiga e as vias urinárias são responsáveis pelo armazenamento e pelo transporte da urina para o exterior. A mucosa destas vias é formada por epitélio de transição apoiado sobre uma lâmina basal. As células mais superficiais do epitélio de transição se caracterizam por modificações que, quando a bexiga ou o ureter estão vazios, apresentam o aspecto globoso, quando as vias urinárias estão cheias,estas células passam a apresentar um aspecto mais achatado.

FEOCROMOCITOMA: são tumores, geralmente benignos, de células cromafins, formados por células produtoras de substâncias adrenégicas, como a adrenalina. Costumam se localizar nas glândulas adrenais ou suprarenais, mas podem ter outras localizações. Esse tipo de tumor raramente responde a quimioterapia ou radioterapia, necessitando de intervenção cirúrgica.
Os feocromocitomas são de difícil visualização, muitas vezes sendo necessária uma cintolografia com iodo radioativo, quando não são localizados através de tomografia ou ressonância magnética. Podem ter os mais variados graus de sintomas, sendo os mais intensos os das chamadas crises adrenérgicas. Neste caso, o portador apresenta crises súbitas de aceleração do coração, com grandes elevações de pressão arterial, dor de cabeça e sudorese.

Um comentário:

Renato Sardinha disse...

ENTRE A 11ª E A 13ª VÉRTEBRA?

VOCE QUIS DIZER 3ª LOMBAR NE!?